Reforma Tributária pelo Brasil | Edição DF: evento reúne 270 profissionais e revela impactos na capital federal

A Reforma Tributária pelo Brasil chegou ao Distrito Federal, nesta quarta-feira (7), para um dia de palestras e debates sobre a nova legislação tributária. Reunindo mais de 200 empresários e profissionais da contabilidade, em Brasília, a edição marcou o lançamento oficial do projeto e levou especialistas para discutir desafios, perspectivas, pontos de atenção e novos cenários no contexto da capital federal.

Representando a Confederação Nacional do Comércio (CNC), apoiadora do evento, o consultor tributário da entidade, Gilberto Alvarenga, abriu a sessão de boas-vindas valorizando a categoria. Como advogado, Alvarenga reconheceu que uma empresa pode seguir sem advogado, mas não pode se manter sem um contador. O especialista ainda destacou que a CNC apoia iniciativas como essa, pois consolidam uma parceria verdadeira entre a contabilidade e o empresário no Brasil.

Daniel Chaves Fernandes, presidente do Sescon-DF, afirmou que o contador é o ponto focal e peça central da Reforma, devendo buscar a valorização do seu trabalho e aproveitar as oportunidades disponíveis. Complementando sua fala, Darlan Barbosa, presidente do Conselho Regional de Contabilidade do Distrito Federal (CRCDF), parabenizou os participantes por tomarem a iniciativa de se manterem atualizados e de assumirem a missão de ajudar as empresas a se posicionarem na estratégia.

Em seguida, Joaquim Bezerra, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), reafirmou o compromisso com a Fenacon de entregar uma classe preparada para o grande desafio fiscal. O dirigente ainda lembrou que os profissionais precisam se atentar a mudanças não óbvias, mantendo um olhar especial para as micro e pequenas empresas.

“Não estamos diante de uma Reforma Tributária apenas. Estamos diante de uma reforma tecnológica, humana, de gestão. Não está em jogo apenas a análise tributária; está em jogo o reposicionamento, o modelo de negócio, a competitividade”, afirmou.

Encerrando a primeira parte do encontro, Reynaldo Lima Jr., presidente da Fenacon, destacou a importância da parceria com o CFC para levar conhecimento a todo o País e deixou um recado claro aos presentes: “A ciência contábil está voltando a exercer todo seu espaço, dentro do lugar que sempre buscou e de onde nunca deveria ter saído”.

O evento seguiu com a programação de palestras, painel e sorteios de ingressos para eventos como 22ª CONESCAP e Contábil SUMMIT.

Mapeando os Desafios e Impactos da Transição no DF

Dando sequência à programação, Anderson Roepke, auditor fiscal da Receita Federal e representante do Governo do Distrito Federal, revisou o cronograma de transição por marcos: 2026 como ano-teste, 2027 com a CBS plena, troca gradual entre 2029 e 2032, e consolidação do novo sistema em 2033.

Numa análise das particularidades locais, o auditor alertou que o DF enfrentará menor resiliência fiscal. Isso se deve ao fato de que, ao transferir a competência tributária direta do IBS e da CBS para a União, a capital perderá a autonomia para manejar alíquotas em resposta a intempéries econômicas. Ademais, a implementação do Princípio do Destino e a transição federativa até 2097 reterão parte da receita local.

Por outro lado, Roepke pontuou que os avanços tecnológicos tornaram viável essa transformação, exemplificando com a volumetria da Receita Tributária Digital, que é capaz de processar até 4,7 mil documentos por segundo e R$ 1 trilhão em arrecadação. Diante disso, orientou as empresas a manterem obrigações acessórias rigorosamente em dia, aproveitarem créditos e investirem em equipes de compliance.

Inteligência Fiscal e Pontos de Atenção Críticos

Na sequência, o auditor fiscal e tributarista Edgar Madruga abordou sete pontos vitais do novo modelo, salientando que a adaptação é inevitável e exige ação imediata.

Madruga enfatizou a urgência em dominar os pilares operacionais do sistema: cadastros atualizados por CEP, Documentos Fiscais Eletrônicos (DFe’s) e meios de pagamento. De acordo com o especialista, inconsistências cadastrais ou atrasos operacionais poderão comprometer diretamente a geração de créditos financeiros para as empresas, uma vez que o abatimento estará vinculado ao efetivo recolhimento pelo fornecedor.

O palestrante abordou ainda o conceito do split payment e defendeu que, à medida que a burocracia mecânica for reduzida, a categoria deverá direcionar esforços para gerar valor. Isso inclui orientar seus clientes na reprogramação de fluxo de caixa, reprecificação de produtos e na condução de um planejamento tributário estratégico focado na inteligência fiscal.

Complementando a discussão, o contador e professor Angelo Costa detalhou as dinâmicas do novo cenário, assinalando que, pela primeira vez na história do país, o consumo passa a definir a arrecadação. Sob esse prisma, o DF possui um viés positivo por ser um ente essencialmente consumidor, o que tende a favorecer sua arrecadação, embora enfrente como contrapartida a perda da autonomia legislativa tributária. Em uma aula prática sobre apuração e documentos fiscais, Costa explicou o fim da cumulatividade e da monofasia, ressaltando os impactos do fato gerador atrelado ao pagamento e os cuidados necessários na implementação do split payment e na padronização nacional dos documentos fiscais.

O Papel Consultivo e a Governança no Painel dos Líderes

Para debater as perspectivas práticas do setor, reuniram-se no painel “Reforma Tributária do Consumo: quais impactos os contadores precisam alertar seus clientes?” os representantes das entidades realizadoras: Fenacon, CFC, Sescon-DF e CRCDF.

Durante as discussões, Darlan Barbosa salientou que o profissional deve assumir uma postura proativa, identificando antecipadamente as necessidades do empresário. Corroborando esse pensamento, Daniel Chaves observou que o momento marca o resgate da verdadeira essência contábil: migrar da apuração burocrática para a consultoria estratégica de negócios.

Márcio Schuch, diretor de inovação e tecnologia do CFC, alertou para os riscos da falta de foco na governança e enfatizou a tecnologia como aliada indispensável, advertindo que “quem não está usando tecnologia está atrasado, e quem está usando errado assume um risco enorme”. Por fim, Daniel Coêlho, ex-presidente da Fenacon, encorajou os escritórios a serem proativos e revisarem seus planejamentos estratégicos internos para estruturar novas ofertas de serviços, reafirmando a capacidade de adaptação do setor.

A Prática Operacional e o Futuro da Profissão

Encerrando as exposições, o contador e advogado Fellipe Guerra ministrou a palestra “Reforma Tributária na Prática”, destrinchando os impactos operacionais da legislação sobre estoques, apuração em regime de caixa e a extinção de débitos no Simples Nacional via terceiros.

Guerra apresentou aos participantes um checklist técnico detalhado das ações a serem tomadas pelas empresas do regime regular, recomendando expressamente o estudo e a adoção de ferramentas de inteligência artificial para otimizar processos e garantir vantagens competitivas na nova era fiscal.

Até dezembro, o projeto Reforma Tributária pelo Brasil deve atender 41 cidades em todo o País, levando esclarecimentos necessários e valorizando a profissão contábil. As datas confirmadas estão disponíveis aqui.

Compartilhe:
WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn