Artigo: “10º Seminário Internacional do SESCON-SP na China – Conhecimento, inovação e uma visão de futuro para as empresas”

Por Reynaldo Lima Jr., presidente da FENACON

Participar do 10º Seminário Internacional de Excelência Empresarial do SESCON-SP, realizado na China, foi uma oportunidade de conhecer de perto um país que impressiona não apenas pelo avanço tecnológico, mas principalmente pela velocidade, escala e capacidade de transformar inovação em desenvolvimento econômico e novos modelos de negócios.

A missão reuniu 97 participantes, representantes de diversos estados brasileiros, promovendo também uma importante troca de experiências entre empresários, profissionais e lideranças de diferentes regiões do país.

Participei do Seminário na condição de presidente da Fenacon, acompanhado por integrantes da Diretoria da Federação: Wilson Gimenez, diretor Técnico; Roberta Zara, diretora Financeira; Eduardo Tostes e Ronaldo Hella, diretores suplentes. Uma presença institucional importante para aproximar ainda mais a Fenacon das transformações que estão acontecendo no mundo e que certamente terão reflexos sobre as empresas e sobre a atividade contábil no Brasil.

A programação percorreu Pequim, Hangzhou, Xangai e Shenzhen, além da extensão por Hong Kong e Macau, reunindo conhecimento acadêmico, visitas empresariais, tecnologia, inovação e experiências culturais.

Um dos pontos importantes da programação foi a passagem pela Fudan University, em Xangai, onde participamos de atividades acadêmicas que permitiram aprofundar nossa compreensão sobre a China, sua economia, seu ambiente de negócios e sua inserção no cenário internacional.

Essa experiência reforçou uma percepção importante: para entender as transformações que estão acontecendo no mundo, não basta observar o que já aconteceu. Precisamos estudar, conhecer novas experiências e, principalmente, compreender o que está sendo construído para os próximos anos.

Da indústria aos novos modelos de negócios

Nas visitas empresariais, tivemos a oportunidade de conhecer algumas das organizações que ajudam a explicar a transformação econômica e tecnológica chinesa.

Em Hangzhou, visitamos a Alibaba, referência mundial em comércio eletrônico e transformação digital. Mais do que conhecer uma grande empresa de tecnologia, foi possível observar um ecossistema em que dados, inteligência artificial, logística, meios digitais e comércio estão cada vez mais integrados.

Na Geely, tivemos contato com o desenvolvimento da indústria automobilística chinesa e com o avanço dos veículos elétricos, um mercado no qual a China vem realizando investimentos expressivos e desenvolvendo tecnologia em grande escala.

Outro momento de destaque foi o contato com a Baidu, uma das maiores empresas de tecnologia da China, frequentemente comparada ao Google por sua origem e relevância nos serviços de busca e no ambiente digital. Hoje, porém, sua atuação vai muito além disso, envolvendo inteligência artificial e tecnologias voltadas à mobilidade.

Conhecemos o ecossistema Apollo, desenvolvido pela Baidu para a direção autônoma, reunindo inteligência artificial, sensores, processamento de dados, mapas e outras tecnologias aplicadas aos veículos. É uma demonstração concreta de como carro elétrico, inteligência artificial, conectividade e direção autônoma começam a fazer parte de um mesmo ambiente de inovação.

Em Shenzhen, essa visão ganhou ainda mais força. Visitamos o centro de experiência da DJI, referência mundial em drones e soluções de imagem aérea, além de experiências relacionadas à robótica, eletrônicos e novas aplicações tecnológicas. Também estivemos no Mercado Huaqiangbei, um dos maiores centros de eletrônicos do mundo.

O que mais chama a atenção não é uma tecnologia isoladamente. É perceber a escala dos investimentos, a velocidade de implementação e a integração entre indústria, tecnologia, infraestrutura, educação, pesquisa e desenvolvimento.

Tecnologia sem abandonar a história

Ao mesmo tempo em que encontramos cidades extremamente modernas, infraestrutura avançada e investimentos tecnológicos impressionantes, conhecemos uma China que preserva sua cultura, sua história e suas tradições.

Em Pequim, visitamos locais emblemáticos como a Praça Tian’anmen, a Cidade Proibida e o Palácio de Verão. Também tivemos a oportunidade de conhecer a Grande Muralha da China, uma experiência que dimensiona a história e a capacidade de realização de uma civilização milenar.

Esse talvez seja um dos contrastes mais interessantes da viagem: um país que investe intensamente no futuro sem deixar de preservar e valorizar seu passado.

A passagem por Hong Kong e Macau completou essa experiência. Hong Kong, com sua forte vocação financeira, comercial e internacional, e Macau, com características econômicas, históricas e culturais muito próprias, permitiram conhecer outras dimensões dessa região e de sua conexão com a economia mundial.

O que essa experiência nos ensina sobre as empresas

Para quem vive diariamente o ambiente empresarial, uma missão como essa precisa ir além de conhecer novas tecnologias. É necessário voltar olhando para a nossa própria realidade e perguntando: o que tudo isso representa para as empresas brasileiras?

Inteligência artificial, automação, veículos elétricos e autônomos, robótica, comércio digital, novas formas de pagamento e processamento de grandes volumes de dados já não pertencem a um futuro distante. Essas transformações estão acontecendo agora.

E não estarão restritas às grandes corporações. Gradativamente chegarão às pequenas e médias empresas, modificarão processos, profissões, relações de trabalho e a maneira como empresários tomam suas decisões.

Para a contabilidade, essa reflexão é ainda mais importante. Quanto mais a tecnologia automatiza processos operacionais, maior deve ser nossa capacidade de analisar informações, interpretar cenários, antecipar impactos e apoiar o empresário na tomada de decisões.

É justamente nesse ambiente que o contador amplia seu espaço e seu protagonismo.

Volto desse seminário  com muitas imagens, experiências e aprendizados, mas principalmente com uma convicção ainda maior: precisamos olhar para fora para compreender melhor o que devemos construir aqui dentro.

Conhecer o que empresas, universidades e centros de inovação estão fazendo do outro lado do mundo amplia nossa visão, provoca reflexões e nos ajuda a preparar nossas empresas e nossos profissionais para as mudanças que já estão acontecendo.

O 10º Seminário Internacional do SESCON-SP cumpriu exatamente esse papel: aproximar conhecimento, experiência empresarial, inovação e cultura.

Porque conhecer o futuro que já está acontecendo em outras partes do mundo é também uma forma de nos prepararmos para construir o nosso.

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