Fenacon e CFC abordam lançamento do Reforma Tributária pelo Brasil e protagonismo contábil no novo episódio do Fenacon Conecta

As transformações profundas no sistema tributário brasileiro voltaram ao centro do debate contábil e empresarial. No novo episódio do videocast Fenacon Conecta, Sidenilso Filguera, diretor de comunicação da Fenacon, recebe Reynaldo Lima Jr., presidente da Fenacon, e Joaquim Bezerra, presidente do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), para um bate-papo sobre os impactos da Reforma Tributária. O diálogo analisa o papel decisivo que a categoria contábil desempenha na transição do modelo fiscal do país e destaca ações conjuntas, como o projeto Reforma Tributária pelo Brasil, para levar informação e capacitação técnica a profissionais de todas as regiões brasileiras.

O projeto Reforma Tributária pelo Brasil visa aproximar os profissionais das transformações da legislação por meio de encontros presenciais espalhados pelas bases do sistema contábil. A expectativa dos organizadores é realizar 41 eventos até dezembro, impactando mais de 10 mil profissionais com abordagens regionais: do agronegócio no Centro-Oeste às especificidades da Zona Franca em Manaus.

Lançamento oficial Reforma Tributária pelo Brasil

Diante de um processo de transição previsto para durar cerca de uma década, Fenacon e CFC uniram forças para realizar o projeto Reforma Tributária pelo Brasil. O lançamento oficial aconteceu na capital do País, em Brasília, no dia 7 de outubro, numa edição que reuniu 270 profissionais contábeis prontos para discutir desafios, perspectivas, pontos de atenção e novos cenários no contexto da capital federal.

Reynaldo Lima e Joaquim Bezerra concordam ao dizer que o principal objetivo dos seminários é preparar a classe contábil para um dos períodos mais desafiadores da profissão. Numa comparação com o período de padronização das Normas Internacionais de Contabilidade, em 2008, e da pandemia da Covid-19, em 2020, Lima relembra como o contador foi demandado de forma brutal, exigindo capacitação, organização e protagonismo do contador. Porém, a Reforma Tributária vai exigir também um participação importante dos empresários, dando muito mais apoio.

“Não basta transferir toda responsabilidade para o contador. Se jogar essa decisão, esse momento, pra cima do contador, ele não vai suportar, por mais preparado e organizado que esteja. O empresário precisa abarcar também a Reforma e dar apoio ao contador para fazer e fortalecer essa integração e validação da gestão”, declarou Lima.

O dirigente do CFC complementa essa ideia, afirmando que o impacto da reforma é diferente da padronização porque é algo muito mais desafiador e amplo por se tratar não apenas de uma Reforma Tributária, mas sim de uma reforma de gestão, de ambiente de negócios, de segurança jurídica dos negócios.

“Por isso que não teremos uma reforma em um ano, e sim, em dez. São muitas questões para serem definidas ainda, então o CFC e a Fenacon entenderam que, enquanto essas regulamentações não estão postas, vamos fazer o que é devido: capacitar os profissionais para estarem prontos para a Reforma”, afirmou Bezerra.

Além de todo trabalho que os contadores e empresários deverão fazer para se adequar às novas regras tributárias, o momento marca o que os presidentes definem como uma virada de chave histórica para a profissão. Por muito tempo, a profissão deixou de lado sua essência analítica para atender exigências burocráticas e obrigações acessórias. Agora, a contabilidade encontra na automação e na integração tecnológica a oportunidade de consolidar sua vocação estratégica. Com o suporte de ferramentas modernas para a compilação de dados, o contador assume com mais clareza a posição de agente de conformidade e consultor indispensável na tomada de decisões corporativas.

“O olhar para contabilidade sempre foi de um ambiente burocrático, a parte fiscal da empresa, obrigações acessória. Já provamos para o estado brasileiro a nossa cidadania profissional. Agora é a virada de chave. A gente sempre esteve do lado da estratégia, mas o nosso tempo de estratégia era consumido pelas obrigações acessórias. Com a tecnologia entregando as informações compiladas, eu (contador) viro o agente da conformidade e auxilio os empresários na tomada de decisões e gestão da empresa”, destacou Joaquim Bezerra.

Essa mudança de perspectiva, contudo, exige que a inovação seja assimilada na prática diária dos escritórios. Complementando essa visão, Reynaldo Lima pontua que a consolidação da contabilidade como ferramenta estratégica passa pelo uso inteligente dos recursos digitais, indispensáveis para agilizar processos e integrar dados que fortalecem a essência da ciência contábil. O presidente da Fenacon também ressalta que parcela significativa da classe ainda subutiliza essas ferramentas no momento em que a profissão busca retomar seu espaço de destaque. “Não basta simplesmente se preparar e se organizar quando não se usa a tecnologia a seu favor”, alertou o dirigente da federação.

O que mais você encontra no episódio

Além do panorama institucional, a discussão traz alertas práticos para o dia a dia do mercado contábil:

  • Especialização e valorização: a complexidade do novo sistema tende a impulsionar o fim do modelo puramente generalista, abrindo espaço para a certificação e a atuação em nichos específicos de mercado;
  • Atenção às micro e pequenas empresas: o episódio aborda as dificuldades operacionais das estruturas menores, que carecem de equipes dedicadas para estudo e adaptação rápida;
  • Cuidado com a desinformação: as entidades alertam para os riscos de conteúdos superficiais e soluções milagrosas disseminadas em redes sociais durante o período de transição;
  • Adoção tecnológica: uma análise crítica sobre como a falta de uso de ferramentas automatizadas ainda limita a eficiência e o crescimento de parcela dos profissionais.

Assista o episódio na íntegra:

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